A razão me implorou que voltasse,
apontou o abismo com voz serena.
Mas a alma, surda ao cálculo,
escolheu sangrar em silêncio.
Há destinos que não pedem lógica,
apenas um peito disposto a cair.
O coração assinou seu próprio exílio,
sem sequer ler o que perdia.
Talvez amar seja isso:
uma desobediência elegante ao mundo.
Enquanto a mente ergue muralhas,
a alma abre as portas ao inverno.
E se um dia eu me arrepender,
que seja tarde demais para fugir.
Pois mesmo a razão dizendo não,
a alma já havia escolhido sentir.