Passei por cidades, invernos e despedidas,
colecionei rostos que o tempo levou.
No fim de cada caminho descobri
que o coração sempre procurava um só lugar.
Não era a glória, nem o ouro das manhãs,
nem as promessas fáceis da multidão.
Era uma presença que ficasse
quando o silêncio apagasse todas as vozes.
Porque de toda a vida, a busca mais valiosa
é a da companhia que não aprende a partir.
A mão que permanece sem pedir razões,
como uma canção antiga que nunca termina.
Se um dia ela chegar, enfim descansarei.
Toda a tristeza encontrará um nome diferente,
e até a chuva parecerá uma melodia,
tocada devagar entre o amor e a eternidade.