A máquina me tritura em silêncio,
e molda meus lábios como quem dobra ferro.
Sorri por mim, enquanto me apaga,
como se viver fosse apenas obedecer.
Chamam isso de sucesso, de ordem,
de tornar-se um cidadão modelo.
Mas cada aplauso pesa como uma corrente,
e cada manhã custa um pouco de mim.
Há uma tristeza que não cabe nos relatórios,
nem nas vitrines da felicidade obrigatória.
Ela cresce onde o coração se recusa
a vestir a máscara dos satisfeitos.
Nem a felicidade prometida vale uma vida assim.
Prefiro o peso da dúvida à paz fabricada.
Porque ainda existe alguma verdade
na alma que se recusa a sorrir por decreto.