Tento, a duras penas, escapar da corrida,
mas cada saída cobra um preço maior.
A cidade vende o futuro em parcelas,
e compra o presente por um punhado de dor.
As ruas vestem sorrisos emprestados,
enquanto relógios devoram a pele.
Há um céu cinzento por trás das vitrines,
e um silêncio que jamais adormece.
Procuro um lugar onde o tempo respire,
longe das máquinas que chamam isso de viver.
Mas a vida me alcança em cada esquina,
lembrando que até fugir tem seu sofrer.
Ainda assim caminho contra a corrente.
Se a liberdade for apenas um instante,
que ele brilhe como uma nota perdida na noite,
antes que o eco me transforme em mais um.