Vi um casal sorrindo no carro ao lado,
como se o mundo coubesse em duas mãos.
O semáforo abriu para eles,
e fechou um pouco mais dentro de mim.
Na rua, namorados desafiavam o tempo,
na praça, amantes inventavam eternidades.
Cada abraço parecia uma resposta
para uma pergunta que nunca me fizeram.
Procurei meu reflexo no vidro da janela,
mas encontrei apenas um vulto cansado.
Em todos esses dias me olhei...
e não me vi.
Talvez eu seja só um silêncio andando,
um riso esquecido fora do roteiro.
Enquanto a cidade ensaia finais felizes,
eu sigo quebrando a caixa para descobrir se ainda existo.