A chuva fria toca minha pele,
e me inunda de um dia cinzento.
O céu não promete abrigo,
apenas o silêncio do vento.
As ruas carregam passos vazios,
como se o tempo tivesse desistido.
Cada gota dissolve um instante,
sem pedir que seja lembrado.
Não procuro vencer a tristeza;
apenas caminho ao lado dela.
Há uma estranha paz no frio
que nenhuma palavra revela.
Quando a noite enfim me encontra,
resta o som da chuva a cair.
Talvez viver seja isto:
continuar, mesmo sem compreender o porvir.