Percebo o óbvio diante de mim:
não como resposta,
mas como uma porta fechada
que insiste em chamar meu nome.
O silêncio me foi imposto,
e por isso aprendi a escutá-lo.
Há gritos que envelhecem;
o silêncio permanece jovem.
Entre o que sou e o que esperam de mim
abriu-se um abismo discreto.
Não caí nele.
Escolhi morar em sua borda.
Talvez a verdade nunca tenha voz.
Talvez apenas caminhe descalça
ao lado daqueles
que suportam o peso de ouvi-la.