O tempo veste máscaras sem rosto,
ora me diz que tudo já vivi;
ora me lança, silencioso e oposto,
ao medo do caminho que não vi.
Há dias em que o mundo soa repetido,
como uma canção esquecida no ar.
Noutros, cada segundo é um ruído
que insiste em não me revelar.
Talvez a vida seja esse intervalo,
entre lembrar o que jamais aconteceu
e esperar, imóvel, pelo salto
de um futuro que nunca prometeu.
Ainda assim caminho, sem certeza.
O relógio não responde quem eu sou.
Só o silêncio conhece a estranheza
de todo tempo que em mim ficou.