Parei de vestir o rosto dos outros;
o espelho enfim desaprendeu a mentir.
Perdi o abrigo do rebanho,
mas encontrei o frio de existir.
Já não imploro lugar nas mesas,
nem traduzo meu silêncio em aceitação.
Há uma liberdade severa
em não negociar o próprio chão.
Ser diferente não é um destino;
é recusar a ferrugem da repetição.
Quem busca caber em todas as formas
desaparece antes do fim.
Agora caminho sem testemunhas.
Se o mundo não me reconhece, pouco importa.
Prefiro a solidão que permanece verdadeira
à multidão que exige outra vida.