O tempo corre como areia,
escapa sem pedir perdão;
e eu permaneço olhando,
como quem espera uma razão.
Há dias em que o mundo
parece não ter sentido,
mas ainda encontro beleza
no que nasce já perdido.
A noite passa por mim
com seu silêncio indiferente;
e, apesar de tudo, admiro
a tristeza de estar presente.
Talvez seja essa a revolta:
continuar a contemplar,
quando tudo vai embora
e ainda assim querer olhar.