O cansaço vem devagar,
vestido de noite e silêncio,
senta ao meu lado sem falar
e chama a solidão de endereço.
A rua dorme, eu continuo,
perdido entre o ontem e o agora,
feito um coração meio vazio
esperando alguém bater à porta.
Há sombras dançando na parede,
e eu finjo que não vejo nada,
mas toda tristeza que me precede
conhece bem a minha estrada.
Talvez amanhã amanheça,
talvez o escuro vá embora,
mas hoje eu só peço que a noite
não demore tanto lá fora.