Em meio à gritaria do mundo,
alguém pergunta, quase por educação:
“Como você está?”
Eu sorrio: estou bem.
Estou bem, é claro.
Tão bem quanto uma noite sem estrelas,
quanto quem aprendeu a conviver
com o próprio silêncio sem reclamar.
Estou bem — não se preocupe.
Apenas carrego alguns vazios,
algumas perguntas sem destino
e um cansaço que já aprendeu meu nome.
Mas estou bem.
É uma resposta excelente: curta, educada, convincente.
Afinal, ninguém realmente quer saber
o que existe por trás de um “estou bem”.