Eu espero ser um dia,
o dia de alguém —
não como quem espera um milagre,
mas como quem ainda não desistiu da manhã.
Talvez alguém reconheça
meu silêncio entre tantos ruídos,
e encontre nos meus olhos cansados
um lugar onde possa permanecer.
Porque até o absurdo da existência
às vezes deixa uma pequena fresta:
um sorriso inesperado, uma mão,
uma presença dizendo: “eu estou aqui”.
E se hoje ninguém me espera,
ainda existe o amanhã, imperfeito e desconhecido.
Talvez eu ainda seja o dia de alguém —
e alguém ainda possa ser o meu.