Quem quase ama, nunca amou.
Apenas tocou a margem do abismo.
Viu o infinito, mas recuou.
E chamou de prudência o seu medo.
O amor não conhece quase.
Ou atravessa, ou permanece na porta.
Quem calcula demais o próprio risco,
termina abraçado à própria ausência.
Talvez amar seja perder a razão.
Talvez seja aceitar a derrota antes da luta.
Porque o coração não assina contratos.
E a vida não devolve o instante perdido.
Por isso, quem quase amou, perdeu.
Não perdeu alguém, perdeu uma possibilidade.
E certas possibilidades não morrem.
Apenas envelhecem dentro de nós.