A noite chegou sem pedir licença.
O silêncio encontrou morada em mim.
As paredes parecem compreender o que não digo.
E eu escuto o vazio respirar devagar.
Lá fora, as estrelas continuam indiferentes.
Aqui dentro, nenhuma luz se oferece.
Talvez o mundo não tenha percebido minha ausência.
Talvez eu mesmo tenha desaparecido aos poucos.
O silêncio não responde, apenas permanece.
A noite não consola, apenas observa.
Entre os dois, descubro o peso de estar sozinho.
E finjo que isso ainda é liberdade.
Amanhã o sol nascerá como sempre.
Talvez encontre em mim algum lugar para entrar.
Por enquanto, deixo a noite guardar meus pensamentos.
E espero que o silêncio, um dia, se canse de mim.