A vida despiu-me das palavras,
E o mundo perdeu sua razão.
Hoje, guardo as dores na alma,
E o silêncio ocupa o coração.
Já não procuro tantas respostas,
Nem faço perguntas ao luar.
Há portas que permanecem fechadas,
E sonhos cansados de esperar.
Tornei-me quieto, quase invisível,
Um pensamento à margem do viver.
Talvez seja o absurdo da existência,
Ou o medo de voltar a sofrer.
E sigo, sem saber por que sigo,
Entre o que sou e o que perdi.
A vida fez-me cada vez mais silêncio,
E há tanto de mim que já não diz.