Talvez o Amor seja encontrar,
encontrar alguém que também perdeu o caminho.
E que cansado de tanto caminhar,
reconheça no teu silêncio o próprio vazio.
Duas almas diante do absurdo,
sem promessas de eternidade ou salvação,
Contemplam, em silêncio este mundo,
e fazem da dúvida uma forma de união.
Talvez amar seja aceitar o abismo,
sem exigir do outro uma explicação;
É escolher, mesmo diante do niilismo,
dividir a noite e suportar a solidão.
E se amanhã tudo voltar a ser nada,
se o tempo desfizer nossa frágil morada,
Que ao menos tenhamos contra o destino,
duas solidões caminhando no mesmo caminho.