A beleza daquele olhar me atravessa,
Como um mistério que não sei decifrar;
Há nele um silêncio que me confessa
Aquilo que as palavras não podem revelar.
Talvez seja o abismo de uma alma escondida,
Ou a angústia de quem teme sentir;
Há mundos inteiros numa só mirada,
E perguntas que não ouso proferir.
Contemplo teus olhos, estrangeiro de mim,
Buscando um sentido que talvez não exista;
E quanto mais tento compreender o fim,
Mais minha razão se torna imprecisa.
Se amar é saltar sobre o desconhecido,
Que seja o vazio meu único chão;
Prefiro o mistério de um olhar indecifrável
À certeza vazia de uma explicação.