A solidão me perseguiu a vida inteira,
Como uma sombra que não sabe partir;
Mudaram os dias, as ruas, as fronteiras,
Mas nunca encontrei um lugar para fugir.
Aprendi a sorrir diante do mundo,
A esconder minhas ruínas no olhar;
Mas há um silêncio tão vasto e profundo
Que nem mil vozes conseguem tocar.
Talvez minha angústia seja a consciência
De existir sem saber aonde chegar;
Sou estrangeiro em minha própria existência,
Condenado a pensar, incapaz de escapar.
E se a solidão for minha companheira,
Que ao menos me ensine a compreender
Por que atravesso a vida inteira
Procurando alguém que me ajude a ser.