Eu não vejo o mundo, eu o invento,
Entre a fumaça dos sonhos e a solidão;
Danço com fantasmas contra o vento,
Vestindo ironias no lugar do coração.
As ruas desfilam sua falsa alegria,
E eu finjo pertencer à multidão;
Há uma tristeza elegante na melancolia,
E um estranho prazer na contradição.
Se a vida é absurda, que seja um baile,
Onde os desajustados possam florescer;
Que a realidade desabe, que tudo falhe,
Ainda me resta o direito de não pertencer.
Eu não vejo o mundo, eu o reinvento,
Com guitarras tristes e flores no chão;
Se existir é caminhar contra o vento,
Serei meu próprio exílio e minha revolução.