A palavra mais perigosa do mundo é DEPOIS,
Um cadáver de sonhos vestido de esperança;
Promete um amanhã que nunca vem,
E enterra o presente na sua própria distância.
Depois, direi o que calei por medo,
Depois, amarei sem fingir indiferença;
E o tempo, esse coveiro sem segredos,
Transformará meus desejos em ausência.
Há uma tristeza elegante em adiar a vida,
Um baile de fantasmas sob a luz artificial;
E a alma, de tanto esperar pela saída,
Acaba confundindo a prisão com o ideal.
Por isso, se o absurdo nos condena,
Se o mundo ri da nossa contradição,
Que eu diga agora, mesmo com voz pequena,
Aquilo que o depois roubaria do coração.