O céu canta mais alto em dia de tempestade,
Enquanto a chuva dissolve a falsa calmaria;
Há certa beleza na cruel sinceridade,
De um trovão que desperta a melancolia.
As nuvens vestem luto sobre a cidade,
E eu caminho sem destino, sem razão;
Talvez exista alguma liberdade,
Em quem já fez das ruínas seu coração.
O mundo dança, indiferente à dor,
Sob guarda-chuvas, máscaras e solidão;
E eu ouço o céu desafiar o próprio temor,
Como uma guitarra rasgando a escuridão.
Se a vida é absurda, que chova sobre mim,
Que o vento desarrume o que tentei esconder;
Pois há tempestades que não anunciam o fim,
Mas ensinam nossas almas a renascer.