Ninguém mede o que o coração pode suportar,
Nem mesmo os poetas, embriagados de tristeza;
Há dores que não se deixam traduzir no olhar,
Nem cabem nos versos de qualquer delicadeza.
O peito coleciona ruínas e contradições,
Sorri nas fotografias, desaba em solidão;
E há tempestades escondidas nas canções,
Que nenhuma palavra conduz à compreensão.
Que absurdo é continuar, apesar da ferida,
Dançar com os fantasmas, fingir normalidade;
Enquanto o mundo celebra as coisas da vida,
Há quem sobreviva à própria saudade.
E se um dia me perguntarem quanto doeu,
Não busquem nos meus versos a resposta;
Nem todo abismo que a alma conheceu,
Deixa uma cicatriz que se possa ver exposta.