A vida faz parecer tão fácil se encontrar,
Duas palavras, um sorriso, um acaso qualquer;
Mas há abismos que não se deixam atravessar,
E uma distância que ninguém vê sequer.
Observo os outros, tão simples em seus laços,
Como se pertencer fosse um dom natural;
Enquanto recolho os meus próprios pedaços,
E faço do silêncio meu exílio habitual.
Talvez haja em mim um estrangeiro inquieto,
Que deseja o abraço, mas teme a exposição;
Um coração que, por detrás do intelecto,
Interroga o absurdo da aproximação.
E ainda assim, se a noite me condena,
A sonhar com alguém que me possa compreender,
Que a minha solidão não seja uma sentença,
Pois ainda há tanta vida por acontecer.