Não sei explicar o brilho que ela carrega,
Nem como sua luz me atravessa assim;
Há qualquer coisa que a razão não sossega,
Como um estranho sol nas ruínas de mim.
Talvez seja o absurdo de um breve olhar,
Ou a beleza que não pede compreensão;
Há luzes que não nasceram para iluminar,
Mas para revelar a nossa escuridão.
E eu, estrangeiro entre rostos e estações,
Que tantas vezes duvidei do próprio sentir,
Encontro em sua luz novas contradições,
E um motivo inexplicável para existir.
Se um dia essa claridade se afastar,
E o silêncio ocupar o lugar do que senti,
Ainda haverá essa luz a me inquietar,
Como um belo mistério que floresceu em mim.