Nas noites da minha vida, clamo o teu nome,
Como um condenado que implora ao vazio;
E tu, talvez, nem saibas que alguém se consome,
Sob a lua indiferente, no silêncio frio.
Quantas vezes pronuncio o que não me pertence,
Como um réu diante de um tribunal sem juiz;
Teu nome é a sentença que a noite pronuncia,
E a minha culpa, talvez, seja querer ser feliz.
Talvez jamais te ocorra lembrar o meu rosto,
Nem mesmo por um segundo, entre tantos afazeres;
E eu te construo em sonhos, contra o próprio desgosto,
Como quem reza a um Deus que não pode responder.
Quando a madrugada enterrar mais uma esperança,
E os sinos anunciarem outro dia banal,
Guardarei teu nome, essa cruel lembrança,
Como uma velha canção russa, triste e imortal.