Eu preciso me imaginar feliz, mesmo não sendo,
Vestir um sorriso que não nasceu em mim;
Enquanto o mundo celebra, sigo fingindo,
Como um réu que desconhece o próprio crime.
Há um teatro silencioso atrás dos meus olhos,
Onde represento a paz que nunca encontrei;
E entre aplausos imaginários e sonhos mortos,
Esqueço por instantes tudo aquilo que calei.
Talvez a vida seja esse absurdo disfarçado,
Uma espera sem resposta, um corredor sem saída;
Sou um estrangeiro de mim mesmo, exilado,
Inventando alguma luz nas ruínas da vida.
Mas se amanhã eu não conseguir sorrir,
Que eu não me condene por minha tristeza;
Nem toda flor precisa fingir que vai florir,
Para merecer seu lugar na natureza.