Mesmo na distância, onde o silêncio faz morada,
Com ou sem palavras, atravessando a solidão;
Se a noite te encontrar cansada e desarmada,
Aqui estarei, sem perguntas, sem condição.
Não tenho promessas contra o absurdo dos dias,
Nem posso impedir as sombras de te alcançar;
Mas guardo um lugar entre minhas melancolias,
Onde tua tristeza não precisará se explicar.
Se o mundo te condenar ao frio das ausências,
Se te faltarem caminhos, coragem ou direção;
Não precisas dizer o nome das tuas dores,
Às vezes, basta o silêncio de outra presença.
E mesmo que o destino nos conserve separados,
Que a vida nos imponha o seu estranho desvario;
Entre os gestos não ditos e os sonhos adiados,
Aqui estarei, como uma luz discreta no frio.