Você se eternizou em meus pensamentos,
Sem pedir licença, sem se anunciar;
Está no meu café, nos meus momentos,
E até no silêncio que tento explicar.
Está nas manhãs de aparência banal,
No gosto amargo do café esquecido;
No absurdo dos dias, no vazio habitual,
Na memória insistente do que não foi vivido.
Talvez seja uma condenação sem sentença,
Um mistério que a razão não desfaz;
Você habita em mim, na tua ausência,
Como uma inquietação que não se satisfaz.
E se o mundo me perguntar onde você está,
Não apontarei estradas, retratos ou lugares;
Você simplesmente existe onde meu pensamento vai,
E em mim permanece, além dos calendários.