Duas escolhas me oferece a existência:
Despertar para a angústia, enxergar e sofrer;
Ou dormir no conforto da inconsciência,
E entre a massa, sem perguntas, desaparecer.
Despertar é contemplar o absurdo,
É ver ruínas onde anunciam esplendor;
É carregar o peso de um pensamento profundo,
E descobrir que a lucidez também produz dor.
A massa caminha, tranquila, pela estrada,
Enquanto interrogo as grades da prisão;
Talvez seja a liberdade uma ferida aberta,
E a conformidade, uma anestesia do coração.
Ainda assim, escolho abrir os olhos,
Mesmo que a verdade me ensine a sangrar;
Prefiro o exílio entre os meus próprios escombros,
A uma vida inteira sem sequer despertar.