Vivo na busca de um dia ela realmente me ouvir,
Enquanto a realidade me ensina a não esperar;
Há tanto que eu queria, mas não consigo proferir,
E um mundo de silêncio entre o querer e o falar.
Vivo na certeza de talvez nunca ser notado,
Um rosto entre milhares, uma sombra na estação;
Sou réu de um sentimento jamais pronunciado,
Condenado a te procurar na própria imaginação.
E temo que a terra me recolha em seu abraço,
Antes que teus olhos encontrem os meus por um segundo;
Que eu desapareça sem deixar sequer um traço,
Como um pensamento esquecido no ruído do mundo.
Mas se o absurdo me reserva esse destino,
Se o tempo não concede à minha voz lugar,
Que eu não faça do teu silêncio o meu desatino,
Nem deixe de viver enquanto espero teu olhar.