Constantemente me engano com o brilho da vida,
Persigo miragens que prometem algum esplendor;
Confundo desejos com uma estrada florida,
E encontro, ao fim do caminho, o mesmo vazio interior.
Há perfumes que emanam das coisas passageiras,
Promessas sedutoras, ilusões de felicidade;
São flores artificiais nas vitrines da existência,
Que escondem sob suas pétalas a própria banalidade.
Sou réu de desejos que jamais me pertenceram,
Condenado a buscar aquilo que não sei encontrar;
Quantas versões de mim mesmo desapareceram,
Na inútil esperança de finalmente me completar?
E quando a realidade arrancar minhas fantasias,
E o silêncio revelar o que sempre esteve ali,
Talvez eu compreenda, entre as ruínas dos meus dias,
Que passei a vida inteira perseguindo o nada em mim.