Tenho medo da vida em sua delicadeza,
Desse fio invisível que sustenta o amanhã;
Da facilidade com que o tempo nos atravessa,
E transforma em lembrança o que ontem era manhã.
Somos passageiros de uma estação sem destino,
Abraçados a sonhos que podem se desfazer;
Há um absurdo escondido em cada caminho,
E uma angústia silenciosa no simples viver.
Às vezes, uma canção parece nos salvar,
Uma guitarra rompe a noite e a solidão;
Mas nem mesmo a música consegue explicar,
Por que temos tanto medo da própria condição.
E se a existência é breve e incerta,
Se amanhã talvez não estejamos aqui;
Que ao menos encontremos, de alma aberta,
Alguma beleza antes do nosso fim.