O Diabo ainda não me alcançou,
Mas deixou sua sentença em minha consciência;
Deu-me uma mente que nunca descansou,
E condenou meus sonhos à eterna vigilância.
Enquanto o mundo adormece em paz,
Converso com fantasmas que ninguém vê;
Há perguntas que o silêncio não desfaz,
E respostas que me recusam o direito de esquecer.
Talvez seja este o meu estranho castigo:
Pensar demais, sentir além da razão;
Ser meu próprio carcereiro e inimigo,
E procurar liberdade dentro da prisão.
Mas se a noite insiste em não terminar,
Que ao menos uma canção me faça companhia;
Pois nem o Diabo poderia imaginar
O inferno de uma mente que pensa noite e dia.